"ENCANTO DAS ÁGUAS - RIO SALOBRA & CÓRREGO AZUL"

Reserve a oportunidade de uma completa revitalização de energia ao mais belo cenário de contemplação e interação do mundo.
Agende já seu passeio e aproveite o máximo de nossos atrativos.

Saiba mais

1º Marco identificado pelos pesquisadores (Foto: Reprodução vídeo SIFETE)

Em julho de 1976, a SIFETE – Pesquisa Científica, liderada pelo Prof. Omar Carline Bueno, iniciou estudos na região do município de Miranda, mais precisamente na Serra da Bodoquena, nas proximidades do Córrego Azul, com a finalidade de avaliar as possibilidades arqueológicas.

 

A pesquisa durou quatro anos pelo Grupo, recebendo na época o apoio da prefeitura do município de Miranda e do Exército de Aquidauana, garantindo o acesso e segurança aos locais de estudo.

 

Durante a pesquisa foram levantados dados metodológicos etnográficos com a análise de artefatos em três estágios distintos: descrição, dedução e a especulação. 

 

A primeira etapa deste trabalho consistiu na produção da documentação fotográfico. Ou seja, cada peça foi fotografada individualmente de modo a ressaltar suas principais características.

 

Depois da fotografia as peças foram descritas, a partir da ficha de registro sendo acrescentadas diferentes informações, na tentativa de criar através do ato classificatório uma base uniforme dos objetos identificados (cerâmicas, artefatos de adornos, fragmentos de construções, ossadas, entre outros).

 

Na etapa descritiva, a análise privilegiou os aspectos mais genéricos e substanciais dos objetos. Assim, foram feitas as medições, pesos, descrições dos materiais e a forma como eles foram articulados na fabricação dos mesmos (como exemplo as cerâmicas: pintadas, corrugadas, unguladas etc).

Necrópole encontrada na ExpediçãoLocal escavado pelo SIFETE (Foto Reprodução vídeo SIFETE)

Além disso, foram avaliados os aspectos decorativos efetuando a análise formal tridimensional. Na etapa dedutiva por sua vez, procurou-se verificar a funcionalidade dos objetos e como foram inseridos dentro das características que os mesmos apresentaram, e finalmente na etapa da especulação, os pesquisadores interagiram procurando entender os significados culturais subjacentes aos materiais levantados.

Objetos catalogados nas escavações 

Objetos encontrados (Foto Reprodução vídeo SIFETE) Objetos encontrados (Foto Reprodução vídeo SIFETE) Objetos encontrados (Foto Reprodução vídeo SIFETE)

Conforme destacou a SIFETE, a descrição física dos objetos foi à condição essencial para o estudo, pois somente através dela foi possível o desenvolvimento de terminologias e princípios classificatórios que puderam ser de compreensão e utilização generalizada entre os pesquisadores. Um perfeito refinamento de um vocabulário descritivo que as informações de ordem material foram apropriadas e armazenadas, facilitando assim o trabalho de análise e interpretação dos seus significados.

 

No Brasil, através do Departamento de Antropologia, sob a consultoria do Prof.Dr. Desidério Aytai, foi parcialmente identificado o material escavado, enquanto que o Departamento de Mineralogia, através de seu químico responsável Rogério Pereira da Silva, identificou a composição de amostra de terra colhida junto às ossadas retiradas da necrópole, bem como o seu pH.

Mais objetos catalogados nas escavações 

Após o resultado de identificação culminou a evidência de um estudo contextual mais amplo que a simples análise antropológica e mineralógica, na intenção de inserir a temática da cultura do material recolhido.

 

Tal estudo obteve o apoio do Instituto de Química Nuclear da Universidade de Colônia em Berlim na Alemanha, onde em 1979, de posse dos fragmentos encontrados na região da Serra da Bodoquena, mais precisamente nas proximidades do "Córrego Azul", constataram após as análises antropológicas e mineralógicas que as referências aos materiais colhidos na Expedição que poderiam remontar 35 mil anos.

 

Porém, no ano anterior, os pesquisadores exumaram artefatos mais enriquecedores. Além da exumação de fósseis identificados como soldados brasileiros que lutaram durante a guerra do Paraguai, colheram também materiais de notável semelhança com os artefatos produzidos pelos Incas.

 

Através das informações obtidas na época pelo Comandante Reginaldo Moreira de Miranda do 9º Batalhão de Engenharia e Combate de Aquidauana, durante o confronto com o Paraguai (1864 a 1870) os índios Guaicurus originados dos Andes ajudaram o Brasil na batalha com o Paraguai. 

“Grandes guerreiros e dominante da arte de montaria"
Os Guaicurus montavam seus cavalos pela lateral, no ímpeto de defesa e ataque. Técnica essa, reconhecida pelos espanhóis na década de XVI.

Obra do escultor sul-mato-grossense Anor Mendes
Monumento Cavaleiro Guaicuru localizado no Parque das Nações Indígenas em Campo Grande MS

Na região é muito comum aldeias Kadiwéu - descendentes dos Guaicurus

Kadiwéu, na língua Guaicuru significa “foram pra longe”. Seria uma parte Guaicuru que se desagregara do grupo principal, na época da guerra do Paraguai”, destacou o Prof. Omar Carline Bueno.

 

Esse trabalho perdurou até o ano de 1986, portanto dez anos após da descoberta da necrópole. Nesse ano, culminaram suas descobertas com ruínas de aparente arquitetura Inca.

 

Para os pesquisadores, o ato de buscar a contextualização nos estudos embasados no ambiente ecológico, enriqueceram os conteúdos estéticos e simbólicos que os objetos trouxeram embutidos. Dessa forma, os solitários artefatos ganharam vida e significado.

Confira no vídeo os relatos da Expedição

A SIFETE - Pesquisa Científica foi fundada em 02 de Agosto de 1975, pelo Prof. Omar Carline Bueno, com o objetivo de buscar esclarecer e elucidar fenômenos científicos em áreas diversas.
Fonte: SIFETE - Pesquisa Científica

Por Simone G. Pedrolli

Parceiros & Associados